O sucesso das exportações depende apenas do empresário: será?

Para uma empresa tornar-se exportadora, não é necessário apenas força de vontade ou qualidade no produto, é preciso antes de tudo, um bom estudo do mercado internacional. O fato de ser uma empresa bem sucedida no mercado nacional é ponto importante, mas não suficiente para o mesmo acontecer lá fora, haja vista que o consumidor estrangeiro, muitas vezes, tem padrão de qualidade superior ao nacional, ou mesmo, tem um perfil diferenciado (o que vai exigir mudanças no produto), e isso requer um profundo estudo de mercado antes de alçar vôos.

Uma boa análise de mercado significa ter pleno conhecimento dos novos consumidores (renda, preferências, etc.), dos seus concorrentes (tamanho, marcas e capital), o investimento que terá que ser feito para esta empreitada, o retorno que ela trará, o tempo que isso levará, enfim, ter noções básicas, mas que nem todas as empresas tomam o cuidado de considerar antes de tentar se tornarem exportadoras, o que é, muitas vezes, o motivo para insucesso do negócio.

É fundamental o desenvolvimento de competências necessárias a uma boa gestão de negócios, porque a sobrevivência no mercado internacional requer competitividade como característica fundamental, já que em muitos setores, a empresa passará a concorrer com grandes multinacionais, já estabelecidas, com marcas conhecidas e de competências indiscutíveis.

Entretanto, um grande entrave à criação e manutenção de empresas exportadoras no Brasil é a falta de estímulo governamental. O atual governo freqüentemente se vangloria dos resultados atingidos no comércio exterior, mas não adota políticas que realmente favoreçam as empresas nacionais. Prega-se muito que o crédito para empresas exportadoras é fácil e rápido, o que não é verdade. É claro que o volume e as facilidades existentes hoje são maiores do que há 20 anos, mas se está longe de ser o ideal. Basta conversar com qualquer empresário exportador para ter essa certeza, a burocracia ainda é muito grande e desestimuladora de muitos investimentos.

A taxa de câmbio também é outro fator que influencia negativamente nas receitas de exportação. Na faixa de R$ 2,15 por dólar, não é muita vantagem vender ao mercado externo. Essa variável está gerando algo que pode ser perverso para o resultado da balança comercial, um aumento significativo nas importações, principalmente de bens de consumo duráveis como automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Muitas empresas nacionais, inclusive, estão deixando de produzir itens no país para comprá-los importados com menor custo, o que gera desemprego e menor 1 2 renda ao brasileiro. Isto está acontecendo como resultado do câmbio valorizado e de maior demanda nacional pelos produtos. As exportações estão crescendo menos que as importações. As exportações de carros, por exemplo, cresceram no primeiro trimestre do ano 12% e caíram 2,3 % no terceiro trimestre. Já as importações deste produto cresceram em valores 109% no primeiro semestre, e 200% (!) no terceiro trimestre do ano. Mesmo que o superávit no setor ainda se mantenha, os dados da diferença são alarmantes.

Isso nos faz ver claramente que o sucesso das exportações brasileiras e, conseqüentemente, dos empresários nacionais e da economia como um todo, não dependem exclusivamente da capacidade de produção e da intenção dos empresários. É fundamental que haja compartilhamento de interesses por parte do governo e, de fato, políticas pró-ativas de estímulo à exportação. Não há mágica para fazer exportar, é necessário trabalho duro e conjunto, de parceria entre governo e empresas.

Fonte: Janela Econômica – Nícia Pereira de Araujo

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