Empregos na boca da urna

Profissionais de marketing e TI estarão em alta nas eleições deste ano, com salários até 30% maiores do que os do mercado.

A partir de 6 de julho será dada a largada para mais uma temporada de propaganda eleitoral. As eleições deste ano vão definir os representantes para o cargo de presidente da República, 27 governadores, 81 senadores e 513 deputados federais, além dos estaduais.

Até lá, começa uma maratona de contratação de profissionais que ajudam os candidatos a conquistar os 140 milhões de eleitores confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Só as equipes de primeiro escalão — gente graduada e especializada na área política — contratadas para atuar em uma campanha ao governo de um estado médio, como o Ceará, giram em torno de 100 pessoas.

“Em gigantes como São Paulo ou Bahia, esse número triplica”, afirma Aurízio Freitas, consultor político de Fortaleza. Ou seja, se cinco dos pré-candidatos ao governo de São Paulo tiverem equipes, 1 500 vagas serão abertas. “E estamos falando de apenas um dos postos políticos disponíveis”, diz Aurízio, com experiência em mais de 60 campanhas.eleitor

Em todo o país, já são procurados especialistas em política, comunicação, marketing, rádio e TV, direito, estatística e contabilidade. Vale lembrar que a remuneração dos profissionais durante a campanha costuma superar em 30% os valores regulares. “Em três meses de trabalho, calculamos o salário de um ano”, afirma Aurízio.

“Além disso, uma campanha cria demanda por versões customizadas de outras profissões”, diz Lucas Wilson, da consultoria de RH Asap, de Belo Horizonte. Entre essas novidades estão o coach político, o programador de aplicativos e o gestor de redes sociais.

As carreiras ligadas à tecnologia ficarão em alta neste ano. É no que aposta Raquel Recuero, pesquisadora de mídias digitais da Universidade Católica de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que coordena um estudo sobre o impacto das redes sociais nas eleições. Para ela, essas mídias podem abalar o resultado das urnas por ser meios em que as pessoas são rapidamente influenciadas pela opinião dos demais. “As discussões saem das mídias sociais e vão para a família e para o trabalho”, diz Raquel

Confira se seu perfil se encaixa em algumas das novas funções que serão demandadas pelas campanhas eleitorais de 2014

Coach político

Com formação em administração de empresas, psicologia ou ciência política, esse profissional trabalha diretamente com o político. Ele recorre a técnicas similares às do coaching empresarial e esportivo para melhorar o desempenho do candidato.

Cursos como neurolinguística e marketing político ajudam, e é obrigatório ter formação em coaching por entidades certificadas, como a Federação Internacional de Coach (ICF) e o Instituto Integrado de Coaching (ICI). A demanda pelo serviço costuma partir do consultor político, que identifica um problema no candidato e convoca o coach.

“É um processo que inclui ajudar a pessoa a lidar com a gestão de tempo, a pressão da campanha, a dificuldade de oratória e a agenda pesada”, afirma o cearense Thales Brito, de 31 anos, que nas eleições deste ano atua como coach de deputados esta­duais.

Os encontros com o candidato são semanais, mas a frequência das reuniões pode aumentar na reta final da campanha. De acordo com a Sociedade Brasileira de Coaching, cada sessão, com 1 hora e 30 minutos de duração, custa de 400 a 1 200 reais.

Desenvolvedor de aplicativos sociais

Este profissional é um cientista ou engenheiro de computação que desenvolve aplicativos com conteúdo interativo e focado na política. Usando esses programas, os eleitores podem denunciar a má qualidade dos serviços públicos, postar fotos de seu bairro, visualizar gráficos e acompanhar a evolução dos candidatos durante o processo eleitoral.

“Há espaço para críticas, elogios, cobranças e, claro, a resposta do administrador público, tudo nos moldes das mídias sociais”, afirma o programador paulistano Diogo Azzi, de 29 anos. Ele é diretor de tecnologia da Campanha Digital, empresa de inovações tecnológicas para a comunicação política, em que coordena uma equipe de cinco pessoas da área de TI.

Diogo é um dos criadores do app social Conquistas do Governo, que funciona como um viral no Facebook. Quem recebe pode se cadastrar, visualizar a região onde mora em um mapa e interagir com sua rede comentando as condições de seu bairro ou de sua cidade. A remuneração de um desenvolvedor de aplicativo social varia de 3 500 a 10 000 reais.

Especialista em search engine optimization (SEO)

Trabalha para a consultoria do candidato, e suas atribuições são estratégicas. Ele faz a análise do conteúdo digital em que aparecem o nome do político e o de seus principais concorrentes, o levantamento dos sites com maior identificação com o eleitorado e trabalha para posicionar melhor o nome do candidato nos sites de busca. A formação pode ser tanto em tecnologia quanto em marketing.

Analista de big data

Estatísticos, matemáticos, sociólogos, publicitários e antropólogos são requisitados na política para analisar grandes volumes de informação online. A análise do que as pessoas postam na internet sobre os candidatos é importante para a tomada de decisão dos partidos, definindo estratégias e planejamento de campanhas, especialmente a presidencial e as governamentais.

Gestor de redes sociais

Em campanhas políticas, o Facebook e o Twitter não podem ficar desabastecidos. Esse profissional desenvolve conteúdos para gerar interação entre o candidato e os eleitores em diferentes plataformas, com linguagem adequada a cada uma delas.

Ele acompanha de perto as perguntas e as críticas dos usuários ao candidato nas redes sociais e dá respostas personalizadas. Jornalistas e publicitários costumam fazer esse trabalho.

 Fonte Você SA – Alexandra Gonsalez

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