A mídia sem criatividade e a depreciação dos valores morais e éticos

Fim do carnaval e o que habitualmente infesta os noticiários por alguns dias são as notícias sobre as campeãs, disputando espaço com fatos violentos que fazem parte da rotina dos brasileiros e não pertencem apenas ao período do reinado de Momo. Ou seja, a imprensa continua sem criatividade, repetindo reportagens e fazendo as mesmas perguntas aos entrevistados, sem nada acrescentar de novo naquilo que já estamos cansados de ver e ouvir.

Mas, o que mais me chamou a atenção foi a infelicidade do programa Encontro com Fátima, da Rede Globo, apresentado na quarta feira de cinzas, por um grupo de artistas, uma vez que a apresentadora titular esteve nas transmissões do carnaval de rua e, portanto, ausente naquele dia.

Enquanto o programa abordava sobre as tecnologias utilizadas no carnaval do Rio de Janeiro, estava interessante. Mas, em seguida, enviesou-se totalmente para um assunto desnecessário e banal, quando deu início ao quadro “carnaval é pegação”, reunindo no estúdio um grupo de rapazes que contavam radiantes o número de garotas que “pegaram” nas noites de folia. E os apresentadores enalteciam o feito e a quantidade de “peguetes”, como se as garotas fossem meros objetos expostos numa prateleira para serem apalpados a la vontê. Tudo isso ilustrado com imagens de beijos e carícias entre casais que se encontravam pela primeira vez, mas que aparentavam intimidade de quem se conhece há anos.

Posso parecer antiquado, mas, quanta futilidade e desrespeito à figura feminina. E as garotas não se incomodavam e nem ocultavam o rosto, como se estivessem representando a presa, indefesa e sem reação ante ao seu predador ou “pegador”, aguardando ansiosa pelo ataque.beijo

Em resumo, o quadro não acrescentou em nada à bela história do carnaval, nostálgico e memorável para gerações anteriores, que deixaram de participar em razão não só da violência física, mas, principalmente, da violência ao pudor e aos bons costumes.

Mas, esse não é o único programa merecedor de críticas. Estão aí os diversos reality shows, copias de programas dos EUA e Europa, onde já não registram tanta audiência, mas que permanecem firmes e fortes nas telinhas do Brasil, garantindo lucros às redes de TV e aos patrocinadores, cujo objetivo vai muito além dos valores morais e éticos. O importante, para eles, é garantir o aumento das vendas.

Para concluir, a falta de criatividade jornalística e profissionais despreparados para aparições ao vivo, reforçam a incompetência das escolas na formação dos seus alunos. E para o jornalista, o fato se torna mais prejudicial a partir de sua exposição à frente de programas ou reportagens puramente sensacionalistas que nada agregam à formação sócio educativa dos nossos jovens.

Vorlei Guimarães – 06/3/14

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